quarta-feira, 19 de maio de 2010

Antenor

Em cada palavra, escorre sempre o fruto do desconhecido. A pele que não foi tocada, o encontro que não aconteceu. Entre doces devaneios tardios, a mente divaga no inexato e irreal, retrata tua pele seca, teu ego fútil, meu peito forte.
Entre dedos e dedos, sonho eu, ser protagonista de meu invento. Fazer parte da minha alucinação, viver de fato, o desencontro da vida.
Sonho que tu, sejas tão fraca quanto espero, que calada, procure minha mão no escuro, que viva minha vida, que eu seja de tua necessidade.
Que em meio a todas essas loucuras, em um unicórnio branco, eu sobrevoe a floresta, na brisa calida do entardecer. Busque, no morro mais distante, a rosa mais bonito do reino. Que onde meu unicornio pise, a grama nasça mais verde, e os frutos estejam sempre maduros.
Que não hajam seres a me desafiar. Que me abracem aqueles que me amam, e se rendam, aqueles que a inveja é o único sentimento que nutrem.
Que no dia do meu fim, o sol brilhe como nunca, e todos cantem numa cerimônia regada a vinho! Que eu, bebado, cante e dance, rodopiando até o jardim de margaridas, e lá, num último suspiro, arrote e caia para trás.

au revoir!

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